O ministro da educação, Fernando Haddad, assinou ontem portaria com novas regras para criação e avaliação de mestrados profissionais, como antecipou domingo o caderno Boa Chance, do Globo. Haddad disse que o jornalismo deverá ser uma das áreas em que haverá maior proliferação desse tipo de curso, no rastro da decisão do Supremo Tribunal Federal de acabar com a obrigatoriedade de diploma para o exercício profissional.
Para Haddad, as novas regras vão estimular a transformação de cursos de pós-graduação lato sensu, as chamadas especializações, assim como MBAs e residências médicas, em mestrados profissionais. Segundo ele, o novo formato vai acelerar a formação de mestres e, consequentemente, de doutores, além de ajudar a abrir as universidades para a realidade do setor produtivo e do mercado de trabalho.
A expectativa, segundo Haddad, é que universitários formados em outras áreas busquem os cursos de mestrado profissional em jornalismo para exercer a profissão. Sem entrar no mérito da decisão do STF que extinguiu a exigência do diploma, o ministro defendeu a existência de cursos específicos de jornalismo para qualificar quem pretende atuar na imprensa.
O jornalismo é um dos pilares da democracia. Não podemos desconsiderar as especificidades do seu exercício. Fernando Haddad
A portaria permite que os mestrados profissionais tenham professores sem titulação acadêmica, desde que com reconhecida experiência profissional. A portaria não fixa um percentual mínimo de docentes não titulados. Da mesma forma, estudantes poderão fazer trabalhos práticos no lugar de dissertações de conclusão de curso.
O ministro afirmou que a avaliação conduzida pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) vai privilegiar outros aspectos que não a produção acadêmica, incentivando a criação de cursos.
Fonte: O Globo. Caderno O País, página 9.
Brasília, 23 de junho de 2009.